
Quem deu início à trajetória da família no automobilismo foi Dilso, em Cascavel, no ano de 1973, durante a inauguração do Autódromo da cidade. Naquela ocasião, ele pilotou um Fusca. Eu também queria correr, mas minha paixão era pelas motos. Insisti muito com meu pai, até que ele finalmente me permitiu correr. Tinha apenas 16 para 17 anos na época, em 1975, quando dei início às corridas de moto, ao lado de Eli Welter. Comecei com uma moto 50 e, posteriormente, migrei para uma 125. Disputei corridas em lugares como Rolândia, Curitiba e Cascavel. Mais tarde, participei de competições de Motocross aqui em Toledo, Amambai (Mato Grosso), entre 1979 e 1980.
Em 1978, mudei-me para São Carlos, São Paulo, onde dei início à minha carreira no kart. Após a fase no kart e nas motos, passei a competir com o Hot Fusca, que pertencia a Dilso, em 1982. Já em 1983, conquistei o título de campeão paranaense de Hot Fusca. No ano seguinte, o campeonato passou a ser denominado Hot Car, e sagrei-me bicampeão paranaense com um Voyage.
Em 1985, ingressei no campeonato brasileiro de Fórmula Ford, competindo ao lado de meu sobrinho, Elói. Nos anos seguintes, de 1985 a 1987, participei do campeonato brasileiro completo de Fórmula Ford. Em 1988, disputei algumas provas, além de competir nos campeonatos gaúcho e paranaense de Fórmula Ford. Em 1986, meu pai conquistou a Cascavel de Ouro. Meus melhores resultados nessa competição foram um segundo e um terceiro lugar. Eu continuei competindo até 1988 e 1989, no Campeonato Paranaense e Gaúcho, e retornei às competições em 1992 na Fórmula 3 Sul-americana e no Campeonato Brasileiro de Fórmula 3. O ano de 1982 foi bastante desafiador para mim. Em 1983, conquistei os títulos de Campeão Brasileiro e Sul-Americano de Fórmula 3. Em relação aos mecânicos que me auxiliaram ao longo da minha carreira, muitos deles começaram a trabalhar com meu pai, Dilso, incluindo Bordignon, João Ferrari, Bugre, Luiz e Nego. Esses profissionais desempenharam um papel crucial no meu sucesso nas pistas.
O Sérgio Ferrari, que trabalhava na Volkswagen como chefe de oficina, prontamente se ofereceu para ajudar no projeto. Assim, fizemos nossa primeira corrida com o carro nas condições em que estava, terminando em terceiro lugar. A partir daí, realizamos uma revisão completa, e com um trabalho excepcional do Sérgio, vencemos 9 corridas seguidas, perdendo apenas uma devido a um pneu furado.
Quanto à vivência em uma família de pilotos, a história começou com o Dilso, seguiu comigo e depois com o Elói. Posteriormente, outros membros da família, como Fabiano, Ricardo, Rodrigo e Alexandre, seguiram os passos no kart e, mais tarde, na Fórmula 3 e em competições internacionais. Eu acabei me tornando o “manager” da família, cuidando dos interesses e carreiras dos pilotos, além de assumir o cargo de vice-presidente da Federação Paranaense de Automobilismo. Meu sonho sempre foi ter uma pista em Toledo, e participei ativamente do projeto e construção do kartódromo no Jardim Porto Alegre. Embora não tenha saído exatamente como eu gostaria, é uma pista segura e que contribui para o desenvolvimento do automobilismo na região.
As competições realizadas no kartódromo traziam benefícios para o município, como uma indústria sem chaminé para Toledo, com postos de combustível, restaurantes e hotéis se beneficiando do aumento do movimento. A mensagem que quero deixar é que, embora o foco muitas vezes esteja no futebol, é importante valorizar e apoiar outros esportes, como o automobilismo. Além disso, devemos encontrar um equilíbrio entre o uso excessivo da tecnologia e a prática de atividades físicas, especialmente entre os jovens de hoje.
Entre os anos de 1980 a 1982, Milton Sperafico começou a correr de kart, participando de provas nos Campeonatos Paranaense e Paulista. Em 1982, participou do Motocross, correndo provas no Paraná e do Campeonato Sul-Mato-Grossense de Motocross. Iniciou sua trajetória no automobilismo em 1982, participando do Campeonato Paranaense de Velocidade, na Divisão 3, e conquistou o 3° lugar no campeonato. No ano de 1983, sagrou-se Campeão Paranaense da Divisão 3. Em 1984, foi campeão paranaense da Hot Car, categoria que substituiu a Divisão 3 no estado. Já no ano de 1985, começou a correr no Brasileiro de Fórmula Ford, em que ganhou uma prova no Rio de Janeiro, na 5ª etapa, em Jacarepaguá, recebendo o troféu das mãos do saudoso Ayrton Senna. Nos anos de 1986 a 1989, disputou provas do Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford. Em 1990 e 1991, disputou os Campeonatos Paranaense e Gaúcho de Fórmula Ford. Na temporada de 1992, passou a competir nos Campeonatos Brasileiro e Sul-Americano de Fórmula 3. Em 1993, sagrou-se campeão dos Campeonatos Brasileiro e Sul-Americano de Fórmula-3 “B”.
Nesse período, como piloto e dirigente, acompanhou o desenvolvimento das carreiras de todos os sobrinhos, em provas no Brasil, Europa e Estados Unidos. Acompanhou todo o desenvolvimento da carreira de piloto do seu filho Guilherme desde que o Guilherme competiu em kart, passou pela Stock Car Light e participou do Brasileiro de Turismo. O legado da Família Sperafico no automobilismo mundial começou em 1973, com o irmão mais velho, Dilso Sperafico, que fez sucesso em provas da Divisão 3, no Paraná e pelo Brasil afora. De 1973 até os dias de hoje, a Família Sperafico revelou 10 pilotos para o automobilismo brasileiro e mundial, participando ativamente nas diversas categorias e nos principais autódromos do Brasil.
(Contamos com a parceria do professor Sérgio Luiz Herkert, autor do livro Toledo no Esporte).

Vitor Beal
Cidadão Honorário de Toledo, escritor, historiador autodidata, filho de pioneiros toledanos, autor dos livros: Tempo de Heróis, Um Coração Valente, Vitoriosos, Conquistas e Marcas de Toledo, autor intelectual da Bandeira de Toledo.