Pioneiros de Porto Mendes: Irmãos Bet

Uma história de coragem e fé para a Linha Santos Dumont.

A frustração política em Bituruna (PR), em meados de 1958, deu origem a movimentação de um grupo de moradores da região, os quais se organizaram para migrarem para o Oeste Paranaense. Agradando-se da localidade de Porto Mendes, na época conhecida como Vila Nova de Toledo.

Quintino Bet, pai da professora aposentada Ilda Bet, nossa entrevistada, integrou a comitiva, sendo incumbido por 4 irmãos para auxiliar na definição do melhor lugar para se estabelecerem e criarem suas famílias. Estes irmãos foram João, Luiz, Avelino e José Bet.

Quintino Bet, esposa Verônica e filhos.

Foi do interesse dos compradores, adquirir a propriedade da Colonizadora Pinho e Terra, que havia trazido vários compradores anteriormente e que possibilitava também acomodações, sendo casas geminadas, nas quais permaneciam até conseguirem desmatar um espaço para plantio e construção da moradia própria.

As terras escolhidas, localizadas a 5 km da sede distrital, na Linha atualmente chamada Santos Dumont. Por um bom período chamava-se Linha dos Bet, mas ao chegarem outras famílias, de outros sobrenomes, foi decidido chamar a localidade de Linha Santos Dumont, mesmo nome da Escola Rural que por décadas alfabetizou alunos das proximidades do educandário. Muitos deles, filhos ou netos das famílias Bet. Adélia Bet Vicini foi professora nesta escola por longo período, aposentando-se como Professora Municipal de Marechal Cândido Rondon, morando próximo à escola em que lecionava. Exerceu uma função fundamental na pequena comunidade, distante da vila.

O primeiro dos irmãos Bet a vir foi João com a sua família, juntamente com o irmão Luiz que os acompanhava. Em 18 de outubro de 1960 chegou Quintino, com esposa e 6 filhos. São 6 nascidos em Bituruna e 3 em Porto Mendes. Ao chegar Quintino, seu irmão Luiz, que morava com João, mudou-se para a casa deste, permanecendo até sua morte em 2008, aos 92 anos.

Sobre a mudança, Ilda conta que enfrentaram muitos sacrifícios. O motorista que conduzia o caminhão era o senhor Carlos Frontin. Decidiram seguir um desvio ao chegarem em Novo Sarandi, interior de Toledo. A possível falta de conhecimento do trajeto, poderia colocá-los em risco. Não sabendo das condições da ponte, nem que se encontrava interditada, arriscaram a atravessar. As pranchas de madeira quase cederam, sendo necessário descarregar a mudança. Era um período muito chuvoso, o que fazia os rios formarem forte correnteza. Após descarregarem a mudança, retiraram o veículo. Diziam os pais de Ilda que poderiam ter sofrido uma tragédia, com toda a família nesta passagem.

Nesta localidade permaneceram por 5 dias, acolhidos, de favor, por uma família muito generosa de Novo Sarandi, cujo sobrenome, pelo passar do tempo, não recordavam mais. Cederam-lhes um paiol onde dormiram sobre palha e espigas de milho. A família acolhedora forneceu alimentação, enquanto ali precisaram permanecer para que as condições do tempo melhorassem. Detalhe, os alimentos que a família havia preparado e trouxeram para consumirem durante a viagem, molharam e deterioraram.

Ao chegarem em Marechal Cândido Rondon, tiveram que seguir viagem por Arroio Guaçu. O trajeto por Iguiporã não era possível por não haver estrada na época.

Chegando em Porto Mendes, foram recebidos pela Colonizadora Pinho e Terra e acomodados em casa geminada, que lhes servia de abrigo, até conseguirem desmatar e construir a própria casa. Professora Ilda conta que a casa toda foi edificada com tábuas serradas a mão, como também as tabuinhas que cobriam a mesma. As tabuinhas eram colocadas sobrepostas, vedando bem para protegê-los das intempéries. Esta forma de construção era comum à época.

Na sequência vieram outros 2 tios de Ilda, Avelino e José. Todos se estabeleceram na localidade escolhida pelo irmão Quintino, que acompanhou a comitiva vinda de Bituruna com esta finalidade, conhecer e adquirir terras.

Quintino e esposa Verônica tiveram 9 filhos, 7 mulheres (uma em memória) e 2 homens. Destes, 6 nascidos em Bituruna e 3 em Porto Mendes. Sendo eles, da esquerda para a direita: Vitalina Maria, Ofélia Ana (in memoriam), Selvina, Severina Cecília, Olga, Ilda, Edite, Ivo Geraldo e Arlindo.

Os pais de Ilda: Verônica (Nalon) Bet, nascida em 08 de novembro de  1926 em Antônio Prado (RS) e falecida dia 01 de janeiro de 2021, em Porto Mendes. 

Quintino Bet, nascido em 23 de abril de 1923, no município de Erechim (RS) e falecido dia 24 de maio de 2009, em Porto Mendes, aos 86 anos, na mesma localidade em que foi morar, na época da colonização. Veio a óbito 10 meses após a morte seu irmão Luiz.

Os avós paternos de Ilda, José Bet e Rosa Coloda, e familiares.

Os avós da entrevista Ilda Bet: paternos: José Bet e Rosa Coloda, ambos nascidos em Erechim (RS). Migraram mais tarde para Bituruna. 

Maternos: Fortunato Nalon, nascido em 26 de setembro de 1882 e falecido em 30 de novembro de 1971 e Antônia (Bet) Nalon, nascida em 30  dedjaneiro de 1886 e falecida em 31 de agosto de 1949. Sua avó (nona) materna era prima de seu avô paterno.

Irmãos Bet. Da esquerda à direita, em pé:  Vitório, Quintino (de terno branco), Avelino e José. Sentados: Fiorindo, João e Luiz.

Reni Wachholz Ringenberg

Graduada em Letras e Literatura e pós-graduada em Língua Portuguesa e Inglesa. Professora aposentada e historiadora.