De Oluf Johansen
II. A CIDADE NA SELVA*

Porto Mendes
Ao amanhecer, o “España” encontra-se atracado junto a uma escarpada parede de rocha. O cabo foi preso ao redor do tronco inclinado de uma árvore cuja copa se estende sobre a proa, enquanto os pássaros entoam seus pequenos e cristalinos cantos matinais. Do espelho do rio até um planalto situado no alto, sobe um longo funicular de via dupla, construído solidamente com concreto e dormentes de madeira de lei. O carregamento de erva-mate brasileira já está em andamento há um par de horas. Dois vagões desiguais, suspensos nas extremidades de um grosso cabo de aço, sobem e descem alternadamente transportando cerca de vinte sacas em cada viagem.
Após o café da manhã, nos despedimos do capitão e de sua pequena tripulação, gratos pela hospitalidade recebida. Um dos vagões de carga foi adaptado com uma gaiola de madeira, um compartimento improvisado com bancos onde viajamos sentados os cinco passageiros enquanto o cabo nos eleva lentamente.
Subimos em direção a um pequeno e singular povoado.
O chefe do porto nos recebe como se fôssemos hóspedes esperados há muito tempo, e não simples viajantes de passagem. Mostra-nos as poucas construções que formam Puerto Mendes: casas de madeira sólidas e bem conservadas. Jamais se esquece a vista que se contempla a partir da varanda de sua própria casa. A selva silenciosa. As firmes paredes de rocha. O rio que avança em uma corrente tranquila.
Dali não se veem nem se escutam as quedas-d’água que viemos contornar. Parecem ocultar-se deliberadamente atrás da imensidão da mata, aguardando um pouco mais adiante o encontro com o viajante.
O chefe do porto nos acompanha depois até uma diminuta estação ferroviária, onde um trem liliputiano parece manter-se em equilíbrio sobre uma via extraordinariamente estreita que se perde em direção a uma abertura na selva. A plataforma parece mais apropriada para um carrinho de mão do que para uma ferrovia.
Os vagões não passam de uma fileira de caixotes de madeira montados sobre pequenas rodas de vagoneta. À frente, espera uma locomotiva encantadora, tão pequena que bufava como uma chaleira colocada sobre o fogo de lenha. Dá vontade de acariciá-la e olhar por sua chaminé, que se assemelha mais a uma panela de sopa do que à de uma locomotiva.
— Aí têm o expresso — diz o homem, e nota-se que não é a primeira vez que faz aquela piada. — Se não sofrer grandes atrasos, percorrerá seus sessenta quilômetros em pouco mais de quatro horas.
Logo nos recomenda tomar o trem expresso, o que soa muito elegante, embora não resulte muito caro. Na realidade, trata-se de um velho automóvel Ford adaptado para circular sobre trilhos, capaz de cobrir o trajeto na metade do tempo.
O condutor surge chacoalhando vindo de uma via lateral. Subimos no curioso veículo, onde mal cabemos os cinco passageiros, e em seguida ele parte a toda velocidade, embrenhando-se por aquela estreita via em direção à abertura da mata.
Contornando as Quedas
E como corre! As ladeiras mais íngremes ele evita mediante amplas curvas, mas, mesmo assim, subimos e descemos morros por uma estreita fresta aberta na selva. De tempos em tempos cruzamos clareiras cultivadas com milho, mandioca ou cana-de-açúcar, ao lado de pequenas lavouras de fumo.
Na elevação seguinte erguem-se palmeiras que agitam suas copas contra o céu.
O veículo balança sobre os trilhos e, em meio a um estrondo que faz pressagiar qualquer desastre, cruza pontes de madeira estreitíssimas estendidas sobre riachos que correm por grotas profundas.
— Que passeio infernal! — ruge o coronel, encantado com a aventura.
Sua esposa, por outro lado, solta pequenos gritos enquanto tenta segurar o chapéu e a saia, que o vento teima em lhe arrancar, ao mesmo tempo em que os galhos espinhosos do bambu parecem querer agarrá-la ao passar.
O ar silva em nossos ouvidos. De repente a velocidade diminui ao enfrentar outra subida, tão íngreme que o veículo acaba por parar quase por completo. Teremos que descer? Não. O velho Ford parece refletir por um instante.
Recua lentamente até o fundo do vale, toma novo impulso… e desta vez consegue alcançar o topo. Foi uma verdadeira viagem de montanha-russa. Mas, milagrosamente, não capotamos nem uma única vez.
Na metade do percurso fazemos uma pausa para esperar a passagem de um trem de carga que vem no sentido contrário. O chefe da estação aproveita a espera para nos mostrar as pequenas indústrias do lugar: uma ferraria e uma serraria movidas pela força de um modesto riacho. Sua esposa nos convida para tomar um café. As crianças nos observam com uma curiosidade insaciável, como se nunca antes tivessem visto viajantes vindos de tão longe. Por fim surge o diminuto trem de mercadorias, balançando lentamente em uma longa curva.
A sedenta locomotiva recebe um bom gole de água da coluna de abastecimento, enquanto carregam lenha picada no tênder e os ferroviários conversam tranquilamente durante uns dez minutos.
Afinal, a via fica livre. E quando o velho Ford continua bufando por mais meia hora, a selva começa a se abrir diante de nós.
Guaira
O curso superior do rio Paraná assemelha-se a um grande lago cercado de selvas: uma imensa superfície de água tranquila que cintila sob a luz. Rumo ao oeste, erguem-se bancos de névoa branco-acinzentada sobre os saltos, cujo estrondo permanece suspenso no ar como um rumor profundo, escuro e palpitante.
Chegamos ao porto. Um jovem de aspecto impecável, vestido inteiramente de branco e com um capacete tropical irrepreensível, dá-nos as boas-vindas. Aperta-nos a mão e dá-nos tapinhas amistosos nas costas. O hotel fica a apenas duzentos metros, mas, ainda assim, há um automóvel à nossa espera. Não porque tenhamos especial pressa — ainda deverão passar três ou quatro dias antes que um vapor subindo o rio possa nos levar mais para o norte —, mas, ao menos, já comprovamos que também aqui, em pleno coração da selva, existe um automóvel.
O hotel é encantador. Os quartos são altos e espaçosos; as camas, confortáveis; a comida, excelente. Tudo se encontra limpo, bem cuidado e acolhedor. Trepadeiras floridas e frescas sobem pelas colunas das varandas, enquanto os beija-flores permanecem suspensos no ar diante das flores, imóveis como pequenas joias vivas. É impossível não se sentir de bom humor. Guairá é como o Paraíso. Custa um pouco chegar até ele, mas, uma vez dentro, todas as preocupações parecem se esvanecer.
Ouvira falar tanto deste lugar. Agora, por fim, ia conhecê-lo. Era tarde de sábado, o começo do fim de semana. Saímos para passear e conversamos com muitas pessoas simples, satisfeitas com sua vida. Ao longo de uma avenida arborizada com cinamomos, cada um dos empregados ocupa uma pequena casa de tijolos, embora nenhuma delas lhe pertença. Cada qual dirige alguma das distintas atividades do estabelecimento, que tampouco são de sua propriedade. Todos têm uma tarefa concreta e contam com pessoal suficiente para desempenhá-la.
Há uma serraria, uma olaria, uma usina elétrica, um estaleiro, uma oficina mecânica, uma horta, uma padaria, um matadouro, uma igreja e um hospital. Em suma, existe tudo quanto uma comunidade civilizada precisa para ser autossuficiente.
Mas aqui não há proprietários. E tudo corre razoavelmente bem. Apenas razoavelmente. Falta algo… Algo capaz de despertar nas pessoas um impulso maior. Sente-se a falta do espírito de competição; inclusive daquelas pequenas astúcias que costumam acompanhar o livre comércio e que, afinal de contas, trazem certo colorido e uma dose de audácia à vida cotidiana. Porque toda a cidade, com sua ferrovia, seus barcos e seus edifícios, pertence a uma única família brasileira, que há muitos anos possuía a concessão para explorar as matas da região dos Saltos do Guairá. Toda a propriedade se concentra em um único bolso.
E o homem que traz esse bolso no vestuário encontra-se a milhares de quilômetros de distância.
Os habitantes nativos vivem em pequenas palhoças de bambu, agrupadas ao redor de nascentes e riachos. Nasceram para a vida na selva e nada conhecem fora dela. Mas o europeu sente-se sem lar quando não tem uma mesa própria sob o seu próprio teto.
À noite, no hotel, continuam surgindo rostos novos. As pessoas gostam de conversar. Chama a atenção o quão bem todos falam uns dos outros. Vivem em uma comunidade modelo, sem concorrência, onde quase nada consegue despertar um interesse verdadeiro. O rádio desfia as notícias. Os jornais do mundo inteiro vibram com a tensão de uma guerra que parece iminente. Mas tudo isso não passará de mais uma das habituais bravatas dos ditadores… Em todo caso, nada disso parece dizer respeito a Guairá.
No salão do hotel celebra-se um casamento com baile. Os homens e as mulheres sentam-se separadamente, como em uma igreja de aldeia. E, embora o violino e a sanfona se empenhem ao máximo, nunca há mais de três ou quatro casais dançando sobre o piso de ladrilhos. Os pobres e corretos habitantes conversam com educação e uma certa rigidez.
Não; a gente desejaria que nesta cidade houvesse um pouco mais de agitação.
Antes de nos deitarmos, descemos até o porto. É uma noite tranquila, sem lua, na qual todas as estrelas brilham com intensidade. A cidade resplandece com sua iluminação elétrica contra o céu. Aqui se respira o cheiro do rio e da selva. Morcegos grandes descrevem círculos no ar com o suave bater de suas asas. O rumor profundo das quedas-d’água retumba sem cessa. Mas, no meio desse estrondo, também chegam até nós o dedilhar das guitarras e o ganir dos violinos.
Os nativos estão dançando. A administração organiza para eles um baile todos os sábados à noite sobre uma plataforma coberta com piso de madeira; mas a frequência é escassa. Não é muito divertido divertir-se por obrigação. O ambiente é dominado pela economia planejada e, além disso, é preciso ser muito prudente para demonstrar um entusiasmo inocente, porque aqui também vigora a proibição do álcool, com o inevitável contrabando de bebidas que isso provoca. Sem dúvida, as pessoas se divertem muito mais em seus próprios povoados; mas como poderia um ditador bem-intencionado, sentado lá no Rio de Janeiro, saber disso?
A Queda-d’água
No último dia, antes que o vapor parta, os cinco saímos para conhecer os famosos Saltos do Guairá. Acompanha-nos um alemão do sul, encarregado do hotel, pois, embora nas proximidades mais imediatas se tenham esculpido escadas na rocha e estendido passarelas de madeira sobre as grotas, é fácil se perder.
O caminho atravessa uma mata alta, silenciosa e fresca, povoada em sua parte baixa por arbustos e pequenas árvores, enquanto no alto as espessas copas formam um teto de folhagem sob cuja penumbra verde se entrelaçam cipós em todas as direções. Abrimos caminho entre samambaias viçosas até chegar a um trecho onde a trilha se torna dura e pedregosa.
Pequenas manchas de sol iluminam o solo. Há também cachos de flores de um amarelo vivo… mas, ao passar junto a eles, levantam voo de seus hastes. São borboletas. Logo depois voltam a pousar e outra vez parecem cachos de flores.
Os pássaros desferem suaves fragmentos de melodias; um faz garganteios com a garganta, outro deixa brotar uma fonte de notas cristalinas; os picapaus redoblam estrondozamente sobre os troncos; os bandos de papagaios cruzam o céu soltando seus gritos; o pimentão deixa ouvir seu chamado característico; a pomba silvestre arrulha; o rumor surdo das quedas-d’água escuta-se sem cessa… e, no entanto, reina um estranho silêncio.
O coronel, que normalmente não perde ocasião para fazer gala de seus conhecimentos, permanece completamente calado. Nosso guia leva o rifle ao ombro; nunca se sabe… Ele nos aponta rastros de animais e fala de caçadas.
— As três grandes peles de onça-pintada que estão penduradas na sala de jantar do hotel foram obtidas nesta mesma selva em menos de três meses. Olhe aquela pegada na lama… Um gato bem grande, não é?
Logo atravessamos um bambuzal, formado por hastes longas e esbeltas cujos galhos e folhas se entrelaçam a vinte metros de altura. O ar que circula entre elas, o solo que pisamos, toda aquela marafa vegetal vibra com o profundo urro da água, um estrondo escuro que cresce e cresce à medida que nos aproximamos dos saltos.
De repente saímos a céu aberto e contemplamos a imensa superfície do rio. Os elementos se desatam. As águas reunidas de todo um continente de rios e afluentes avançam sobre nós como se o mar inteiro se precipitasse pela borda do mundo. A corrente chega deslizando com serenidade e, de improviso, transforma-se em imensos mantos de espuma branca que se rasgam ao cair em profundas gargantas, quebram-se em tiras, misturam-se com o ar que é arrastado até o fundo dos redemoinhos e volta a subir convertido em uma chuva pulverizada que aoita a vegetação agarrada aos paredões.
Porque cada saliência, cada fenda que as águas não conseguem desgastar, está coberta de plantas encharcadas que se abraçam desesperadamente à rocha. Continuamos avançando por trilhas e escadarias esculpidas na pedra. Aves brancas atravessam pesadamente a névoa de gotas suspensas.
Arco-íris intensos formam auréolas luminosas que mudam de lugar à medida que descendemos em direção ao pé das quedas-d’água. No meio do enorme redemoinho jaz um tronco podre que a água vai desfazendo lentamente até convertê-lo em lascas. Enquanto o contemplamos, uma grande rocha se desprende da parede e precipita-se no abismo com um estrondo que faz tremer o solo sob nossos pés.
E tudo aquilo não é mais do que um único dos mais de oitenta saltos, grandes e pequenos, que rugem através da garganta do Guaíra.
*Tradução para o português do texto abaixo, este traduzido por Marcelo Marek1, para o espanhol do original I Daenmark er jeg fodt, de Oluf Joahansen2, de 1943.
1Reside em Eldorado, Misiones, Argentina e é membro da Comissão Diretiva do Clube Argentino-Dinamarquês La Esperanza,
2 É nascido em 1890 na Dinamarca em 1890 e imigrou para a Argentino em 1920. Veio a falecer em 1944.



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II.
LA CIUDAD EN LA SELVA
Puerto Mendes.
Al amanecer, el “España” se encuentra amarrado junto a una escarpada pared de roca. El cabo ha sido asegurado alrededor del tronco inclinado de un árbol cuya copa se extiende sobre la proa, mientras los pájaros entonan sus pequeños y cristalinos cantos matinales. Desde el espejo del río hasta una meseta situada en lo alto asciende un largo funicular de doble vía, construido sólidamente con hormigón y durmientes de madera dura. La carga de yerba mate brasileña lleva ya un par de horas en marcha. Dos vagones desiguales, suspendidos en los extremos de un grueso cable de acero, suben y bajan alternativamente transportando unas veinte bolsas en cada viaje. Después del desayuno nos despedimos del capitán y de su pequeña tripulación, agradecidos por la hospitalidad recibida. Uno de los vagones de carga ha sido acondicionado con una jaula de madera, un improvisado compartimiento con bancos donde viajamos sentados los cinco pasajeros mientras el cable nos eleva lentamente.
Subimos hacia un pequeño y singular asentamiento.
El jefe del puerto nos recibe como si fuéramos huéspedes esperados desde hacía mucho tiempo y no simples viajeros de paso. Nos muestra las pocas construcciones que forman Puerto Méndes: sólidas y bien conservadas casas de madera. Jamás se olvida la vista que se contempla desde la galería de su propia vivienda. La selva silenciosa. Las firmes paredes de roca. El río que avanza con una corriente tranquila.
Desde allí no se ven ni se escuchan las cataratas que hemos venido a rodear. Parecen ocultarse deliberadamente tras la inmensidad del bosque, aguardando un poco más adelante el encuentro con el viajero.
El jefe del puerto nos acompaña luego hasta una diminuta estación ferroviaria, donde un tren liliputiense parece mantenerse en equilibrio sobre una vía extraordinariamente angosta que se pierde hacia una abertura en la selva. La plataforma parece más apropiada para una carretilla que para un ferrocarril.
Los vagones no son más que una hilera de cajones de madera montados sobre pequeñas ruedas de vagoneta. Delante espera una locomotora encantadora, tan pequeña que resopla como una tetera puesta sobre un fuego de leña. Dan ganas de acariciarla y mirar por su chimenea, que se asemeja más a una olla para sopa que a la de una locomotora.
—Ahí tienen el expreso —dice el hombre, y se nota que no es la primera vez que hace aquella broma—. Si no sufre grandes demoras, recorrerá sus sesenta kilómetros en poco más de cuatro horas. Luego nos recomienda tomar el tren expreso, lo que suena muy elegante, aunque no resulta demasiado caro. En realidad, se trata de un viejo automóvil Ford adaptado para circular sobre rieles, capaz de cubrir el trayecto en la mitad del tiempo.
El conductor aparece traqueteando desde una vía lateral. Subimos al curioso vehículo, donde apenas cabemos los cinco pasajeros, y enseguida parte a toda velocidad, internándose por aquella estrecha vía hacia la abertura del bosque.
Rodeando las cataratas
¡Y vaya si corre! Las pendientes más pronunciadas las evita mediante amplias curvas, pero aun así subimos y bajamos cerros por una angosta trocha abierta entre la selva. De vez en cuando atravesamos claros cultivados con maíz, mandioca o caña de azúcar, junto a pequeños sembradíos de tabaco.
En la siguiente loma se elevan palmeras que agitan sus penachos contra el cielo.
El vehículo se balancea sobre los rieles y, entre un estrépito que hace presagiar cualquier desastre, cruza estrechísimos puentes de madera tendidos sobre arroyos que corren por profundas quebradas. —¡Vaya paseo infernal! —ruge el coronel, encantado con la aventura. Su esposa, en cambio, lanza pequeños gritos mientras intenta sujetar el sombrero y la falda, que el viento se empeña en arrebatarle, al tiempo que las ramas espinosas del bambú parecen querer atraparla al paso.
El aire silba en nuestros oídos.De pronto la velocidad disminuye al afrontar otra cuesta, tan empinada que el vehículo termina por detenerse casi por completo. ¿Tendremos que bajar? No. El viejo Ford parece reflexionar un instante.
Retrocede lentamente hasta el fondo del valle, toma nuevo impulso… …y esta vez consigue alcanzar la cima. Fue un verdadero viaje de montaña rusa. Pero, milagrosamente, no volcamos ni una sola vez. A mitad del recorrido hacemos un alto para esperar el paso de un tren de carga que viene en sentido contrario. El jefe de estación aprovecha la espera para enseñarnos las pequeñas industrias del lugar: una herrería y un aserradero movidos por la fuerza de un modesto arroyo. Su esposa nos invita a tomar café. Los niños nos observan con una curiosidad insaciable, como si nunca antes hubieran visto viajeros llegados de tan lejos. Por fin aparece el diminuto tren de mercancías, balanceándose lentamente en una larga curva.
La sedienta locomotora recibe un buen trago de agua de la columna de abastecimiento, mientras cargan leña partida en el ténder y los ferroviarios conversan tranquilamente durante unos diez minutos.
Al fin la vía queda libre. Y cuando el viejo Ford ha seguido resoplando durante otra media hora, la selva comienza a abrirse delante de nosotros.
Guayrá
El curso superior del río Paraná se asemeja a un gran lago rodeado de selvas: una inmensa superficie de agua tranquila que centellea bajo la luz. Hacia el oeste se elevan bancos de niebla blanco grisácea sobre los saltos, cuyo estruendo permanece suspendido en el aire como un profundo rumor, oscuro y palpitante. Llegamos al puerto. Un joven de aspecto pulcro, vestido completamente de blanco y con un impecable casco tropical, nos da la bienvenida. Nos estrecha la mano y nos da unas amistosas palmadas en la espalda. El hotel se encuentra apenas a doscientos metros, pero, aun así, hay un automóvil esperándonos. No porque tengamos especial prisa. Todavía deberán transcurrir tres o cuatro días antes de que un vapor que remonta el río pueda llevarnos más al norte. Pero, al menos, ya hemos comprobado que también aquí, en pleno corazón de la selva, existe un automóvil. El hotel es encantador.
Las habitaciones son altas y espaciosas; las camas, cómodas; la comida, excelente. Todo se encuentra limpio, bien cuidado y acogedor. Frescas enredaderas floridas trepan por las columnas de las galerías, mientras los colibríes permanecen suspendidos en el aire frente a las flores, inmóviles como pequeñas joyas vivientes. Es imposible no sentirse de buen humor. Guayrá es como el Paraíso. Cuesta un poco llegar hasta él. Pero, una vez que uno ha entrado, todas las preocupaciones parecen desvanecerse.
Había oído hablar tanto de este lugar. Ahora, por fin, iba a conocerlo. Era la tarde del sábado, el comienzo del fin de semana. Salimos a pasear y conversamos con muchas personas sencillas, satisfechas con su vida. A lo largo de una avenida bordeada de árboles del paraíso, cada uno de los empleados ocupa una pequeña casa de ladrillo, aunque ninguna de ellas le pertenece. Cada cual dirige alguna de las distintas actividades del establecimiento, que tampoco son de su propiedad. Todos tienen una tarea concreta y cuentan con suficiente personal para desempeñarla. Hay un aserradero, una fábrica de ladrillos, una central eléctrica, un astillero, un taller mecánico, una huerta, una panadería, un matadero, una iglesia y un hospital. En fin, existe todo cuanto una comunidad civilizada necesita para bastarse a sí misma.
Pero aquí no hay propietarios. Y todo marcha razonablemente bien. Solo razonablemente. Falta algo…
Algo capaz de despertar en la gente un mayor impulso. Se echa de menos el espíritu de competencia; incluso esas pequeñas picardías que suelen acompañar al libre comercio y que, después de todo, aportan cierto color y una dosis de audacia a la vida cotidiana. Porque toda la ciudad, con su ferrocarril, sus barcos y sus edificios, pertenece a una única familia brasileña, que desde hacía muchos años poseía la concesión para explotar los bosques de la región de los Saltos del Guairá. Toda la propiedad se concentra en una sola bolsa de dinero.
Y el hombre que lleva esa bolsa en el bolsillo se encuentra a miles de kilómetros de distancia. Los habitantes nativos viven en pequeñas chozas de bambú, agrupadas alrededor de manantiales y arroyos. Han nacido para la vida en la selva y nada conocen fuera de ella. Pero el europeo se siente sin hogar cuando no tiene una mesa propia bajo su propio techo. Por la noche, en el hotel, continuamente aparecen rostros nuevos. La gente disfruta conversando. Llama la atención lo bien que todos hablan unos de otros. Viven en una comunidad modelo, sin competencia, donde casi nada consigue despertar un interés verdadero. La radio desgrana las noticias.
Los periódicos del mundo entero vibran con la tensión de una guerra que parece inminente. Pero todo eso no será más que otra de las acostumbradas fanfarronadas de los dictadores…En cualquier caso, nada de ello parece concernir a Guayrá. En el salón del hotel se celebra una boda con baile. Los hombres y las mujeres permanecen sentados por separado, como en una iglesia de aldea.
Y, aunque el violín y el acordeón ponen todo su empeño, nunca hay más de tres o cuatro parejas bailando sobre el piso de baldosas.. Los pobres y correctos habitantes conversan con educación y una cierta rigidez.
No; uno desearía que en esta ciudad hubiera un poco más de alboroto. Antes de acostarnos bajamos hasta el puerto. Es una noche tranquila, sin luna, en la que todas las estrellas brillan con intensidad. La ciudad resplandece con su iluminación eléctrica contra el cielo. Aquí se respira el olor del río y de la selva.
Grandes murciélagos describen círculos en el aire con el suave batir de sus alas. El profundo rumor de las cataratas retumba sin cesar. Pero, entre ese estruendo, también llegan hasta nosotros el rasgueo de las guitarras y el chirriar de los violines. Los nativos están bailando. La administración organiza para ellos un baile todos los sábados por la noche sobre una plataforma techada con piso de madera; pero la concurrencia es escasa. No resulta muy divertido divertirse por obligación. El ambiente está dominado por la economía planificada, y además hay que ser muy prudente para mostrar un inocente entusiasmo, porque aquí también rige la prohibición del alcohol, con el inevitable contrabando de bebidas que ello provoca. Sin duda, la gente se divierte mucho más en sus propios poblados; pero ¿cómo podría un dictador bien intencionado, sentado allá en Río de Janeiro, saberlo?
La catarata
El último día, antes de que parta el vapor, los cinco salimos a conocer los famosos Saltos del Guairá. Nos acompaña un alemán del sur, encargado del hotel, pues, aunque en los alrededores más próximos se han tallado escaleras en la roca y tendido pasarelas de madera sobre las quebradas, resulta fácil perderse. El sendero atraviesa un bosque alto, silencioso y fresco, poblado en su parte baja por arbustos y pequeños árboles, mientras arriba las espesas copas forman un techo de follaje bajo cuya penumbra verde se enredan lianas en todas direcciones. Nos abrimos paso entre helechos lozanos hasta llegar a un tramo donde el sendero se vuelve duro y pedregoso. –
Pequeñas manchas de sol iluminan el suelo. También hay racimos de flores de un amarillo encendido… pero, al pasar junto a ellas, levantan el vuelo de sus tallos. Son mariposas. Poco después vuelven a posarse y otra vez parecen racimos de flores. Los pájaros desgranan suaves fragmentos de melodías; uno hace gorgoritos con la garganta, otro deja brotar un manantial de notas cristalinas; los pájaros carpinteros redoblan estruendosos sobre los troncos; las bandadas de loros cruzan el cielo lanzando sus chillidos; el pájaro pimienta deja oír su característico llamado; la paloma silvestre arrulla; el rumor sordo de las cataratas se escucha sin cesar… y, sin embargo, reina un extraño silencio.
El coronel, que normalmente no pierde ocasión de hacer gala de sus conocimientos, permanece completamente callado. Nuestro guía lleva el rifle al hombro; nunca se sabe… Nos señala senderos de animales y habla de cacerías.
Las tres grandes pieles de jaguar que cuelgan en el comedor del hotel fueron obtenidas en esta misma selva en menos de tres meses. Mire esa huella sobre el barro… Un gato bastante grande, ¿verdad? Luego atravesamos un bosque de bambúes, formado por largas y esbeltas cañas cuyas ramas y hojas se entrelazan a veinte metros de altura. El aire que circula entre ellas, el suelo que pisamos, toda aquella maraña vegetal vibra con el profundo bramido del agua, un estruendo oscuro que crece y crece a medida que nos acercamos a las cataratas. De pronto salimos a cielo abierto y contemplamos la inmensa superficie del río. Los elementos se desatan.
Las aguas reunidas de todo un continente de ríos y afluentes avanzan hacia nosotros como si el mar entero se precipitara por el borde del mundo. La corriente llega deslizándose con serenidad y, de improviso, se transforma en inmensos mantos de espuma blanca que se desgarran al caer en profundas gargantas, se rompen en jirones, se mezclan con el aire que es arrastrado hasta el fondo de los remolinos y vuelve a elevarse convertido en una lluvia pulverizada que azota la vegetación aferrada a los paredones.
Porque cada saliente, cada grieta que las aguas no consiguen desgastar, está cubierta de plantas empapadas que se abrazan desesperadamente a la roca. Seguimos avanzando por senderos y escalinatas tallados en la piedra. Aves blancas atraviesan pesadamente la niebla de gotas suspendidas.
Intensos arcoíris forman aureolas luminosas que cambian de lugar a medida que descendemos hacia el pie de las cataratas. En medio del enorme remolino yace un tronco podrido que el agua va deshaciendo lentamente hasta convertirlo en astillas. Mientras lo contemplamos, una gran roca se desprende de la pared y se precipita al abismo con un estruendo que hace temblar el suelo bajo nuestros pies.
Y todo aquello no es más que uno solo de los más de ochenta saltos, grandes y pequeños, que rugen a través de la garganta del Guairá.